O que é Autoandrofilia?

A autoandrofilia é um termo que foi cunhado pelo psicólogo Ray Blanchard em 1989 para descrever um fenômeno específico relacionado à sexualidade. A palavra é composta por três partes: “auto”, que significa “próprio”; “andro”, que se refere a “homem”; e “filia”, que significa “atração”. Portanto, a autoandrofilia é definida como a atração sexual que uma pessoa tem por si mesma, quando se imagina como um homem.

É importante ressaltar que a autoandrofilia não é um conceito amplamente conhecido ou discutido no campo da psicologia e da sexologia. Na verdade, muitos profissionais dessas áreas não consideram a autoandrofilia como uma orientação sexual válida. No entanto, é um tema que desperta interesse e curiosidade em algumas pessoas, especialmente aquelas que se identificam como transgênero ou que estão em processo de transição de gênero.

Origem e desenvolvimento do conceito

O conceito de autoandrofilia foi introduzido por Ray Blanchard como parte de sua teoria sobre a transexualidade. Blanchard propôs que existem dois tipos principais de transexuais: os homossexuais e os autoginefílicos. Os homossexuais são aqueles que são atraídos sexualmente por pessoas do mesmo sexo, enquanto os autoginefílicos são aqueles que são atraídos pela ideia de serem mulheres.

Blanchard argumentou que, além desses dois tipos, também existem pessoas que são atraídas pela ideia de serem homens, mesmo que sejam biologicamente do sexo masculino. Essas pessoas seriam as autoandrofilas. Segundo ele, a autoandrofilia é mais comum entre as mulheres transgênero, mas também pode ocorrer entre os homens transgênero.

Características da autoandrofilia

A autoandrofilia é caracterizada por uma atração sexual e/ou romântica que uma pessoa tem por si mesma quando se imagina como um homem. Essa atração pode se manifestar de diferentes formas, como fantasias sexuais, masturbação ou até mesmo relacionamentos com outras pessoas que compartilham da mesma fantasia.

Além disso, a autoandrofilia também pode estar associada a uma forte identificação com o gênero masculino e o desejo de ser percebido e tratado como um homem. Muitas pessoas que se identificam como autoandrofilas podem sentir uma desconexão com o próprio corpo e buscar formas de se aproximar da imagem que têm de si mesmas como homens.

Autoandrofilia e transexualidade

A relação entre a autoandrofilia e a transexualidade é um tema controverso e ainda pouco estudado. Enquanto alguns pesquisadores argumentam que a autoandrofilia é uma forma de transexualidade, outros a veem como uma manifestação de fetichismo ou de outros desejos sexuais não relacionados à identidade de gênero.

É importante ressaltar que a transexualidade é um fenômeno complexo e multifacetado, que não pode ser reduzido a uma única explicação ou teoria. Cada pessoa tem sua própria experiência e vivência de gênero, e é fundamental respeitar e acolher essa diversidade.

Críticas e controvérsias

A teoria de Ray Blanchard sobre a autoandrofilia e a transexualidade tem sido alvo de críticas e controvérsias. Muitos profissionais e ativistas argumentam que a teoria de Blanchard é reducionista e patologizante, pois busca categorizar e classificar as experiências de gênero de forma simplista e binária.

Além disso, a teoria de Blanchard também tem sido criticada por não levar em consideração a diversidade de identidades de gênero e orientações sexuais. Ela se baseia em uma visão limitada e estereotipada do que é ser homem ou mulher, ignorando as experiências de pessoas não binárias e de outras identidades de gênero.

Considerações finais

A autoandrofilia é um conceito que ainda está em discussão e não possui consenso na comunidade científica. É importante lembrar que a sexualidade e a identidade de gênero são aspectos complexos e individuais, que não podem ser reduzidos a categorias fixas ou teorias simplistas.

É fundamental respeitar e acolher a diversidade de experiências e vivências de gênero, e buscar compreender e apoiar as pessoas em suas jornadas de autodescoberta e aceitação. A autoandrofilia, assim como outras formas de expressão da sexualidade e da identidade de gênero, merece ser compreendida e respeitada em sua complexidade e singularidade.

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